O que afasta e o que une o jornalismo local e nacional marcaram a sessão “O jornalismo de proximidade e a profissão fora dos grandes centros”, que encerrou o penúltimo dia do congresso.

“Não já jornalismo de proximidade. Há jornalismo, ponto!”. Foi com esta ideia que Joaquim Martins, jornalista da Rádio Altitude, começou a sua intervenção. A diferença é de escala e não de qualidade, explicou. Assim, não há razão que justifique  a forma como os jornalistas que trabalham em órgãos de comunicação regionais são vistos pelos colegas que cobrem todo o território nacional. O profissional acusou os colegas de os tratarem como “um bando de coitadinhos que não percebem nada disto”.

A proximidade foi uma das questões mais debatidas. “Muitas vezes quando está a acontecer, também te está a acontecer”, contou Marta Caires, freelancer e colaboradora do “Expresso”, sobre os incêndios que aconteceram na Madeira, de onde é natural. Quando se trabalha com quem se conhece, a emoção é maior e “ser jornalista também é chorar às vezes”, confessou.

Sobre esta questão, Carlos Cipriano, subdiretor da “Gazeta das Caldas” e colaborador do “Público”, disse que a proximidade “é uma característica do jornalismo local, que se torna um desafio mas também um problema”. Um problema com três vertentes. Existe proximidade com as fontes, com os leitores e com a gestão dos meios de comunicação social.

A solução passa por “um trabalho sério, em sermos jornalistas”. No que diz respeito a diferenças, admite que “os jornais regionais não conseguem competir com os nacionais no que toca ao panorama nacional e vice-versa”. Jorge Manuel Costa, na sua comunicação, disse que existe um desinvestimento na informação local por parte das rádios e televisões generalistas nacionais, enquanto se assiste a uma aposta na Internet e no cabo por parte dos órgãos de comunicação locais.