Não há soluções, nem “poções mágicas”, mas há ideias. Há 18 anos a trabalhar como fotojornalista freelancer, José Peixe lança a proposta enquanto não encontra alternativas: criar uma associação de freelancers portugueses.

 

José Peixe vê a precariedade do jornalismo como uma coisa relativamente recente. Já tinha ficado desempregado antes de se tornar freelancer, mas “nessa altura, não havia precariedade”. Estava na Nicarágua pelo jornal “Liberal” quando se viu sem emprego. Mas durou pouco. Imediatamente foi chamado por Emídio Rangel e começa a trabalhar na TSF.

Os problemas surgiram mais tarde, quando trabalhava no jornal “A Capital”. Entre ações e direitos de resposta, fica novamente desempregado, imediatamente após o 3º Congresso dos Jornalistas Portugueses, onde faz uma comunicação sobre a censura – na origem estava uma peça que o “indignou” por ser publicada com o seu nome, quando não era ele o autor.

“Venci as ações, mas a ética e a deontologia não me encheram a barriga. Fiquei desempregado. Mas não desisti, mantive-me nas trincheiras da liberdade de informação”.

José Peixe tomou a decisão de manter-se no jornalismo, mesmo “desencantado”, porque não vai “deixar de ser jornalista até morrer”.

O fotojornalista não vê no digital a causa de todos os problemas. A precariedade, na opinião de José Peixe, “deve-se à loucura exacerbada que existe em querer ser o primeiro a dar a informação”.

O cruzamento de fontes, as fake news, os salários baixos e a culpabilização dos jornalistas “sempre que acontece algum problema”, são alguns dos fatores apontados pelo jornalista como causas para a precariedade. No entanto, esta não é a única preocupação de José Peixe. O jornalista considera que, para além da precariedade, vai existir “incomunicabilidade”. Alterar esta situação deve ser, na sua opinião, da iniciativa dos jornalistas: “Temos responsabilidade de fazer com que esta gente leia jornais, que compre revistas, e faça o favor de ler aquilo que se publica. Mas deem tempo aos jornalistas de investigar”.