Já ajudou dezenas de repórteres portugueses a fazer aquilo que não são capazes no dia-a-dia: parar para pensar. Este domingo apresenta uma comunicação no painel “Afirmar o jornalismo”

Geriu durante mais de 10 anos a delegação da estação televisiva CBS, em Washington D.C.. Abandonou o jornalismo profissional, mas não parou de estudar nem de tentar resolver os problemas com que os repórteres se defrontam no dia-a-dia. Agora, Walter C. Dean – Wally para os amigos -, 68 anos, estará na última sessão do Congresso dos Jornalistas Portugueses para tentar contribuír para o objetivo do evento: afirmar o jornalismo.

Esta não é a primeira vez, nem será a última, que Walter Dean terá contacto com os jornalistas portugueses. A primeira ocorreu em 2008, quando um grupo de repórteres viajou para a capital norte-americana ao abrigo do Programa José Rodrigues Miguéis, da Fundação Luso-Americana, para o Desenvolvimento (FLAD), para uma formação no Committee of Concerned Journalists (CCJ), do qual Walter Dean era o director pedagógico.

Ricardo Dias (Cenjor)

Maria João Guimarães, jornalista do diário “Público”, esteve entre os primeiros repórteres portugueses a participar no programa. “O Wally é uma pessoa que sabe muito, mas não desiste de procurar o conhecimento e passá-lo aos outros”, diz Maria João Guimarães. “Nas nossas aulas fazia-se de advogado do diabo para que ganhassemos prática na arte de argumentar, para que defendessemos as nossas posições da melhor forma possivel”, continua.

Mário Mesquita, então administrador da FLAD, foi o responsável pela criação do programa. “Inspirados no que fazia o Pew Research Center quisemos repensar os ideais do jornalismo e um certo declínio do jornalismo tradicional. A minha ideia foi, contactados Bill Kovack e Tom Rosenstiel, organizar uma reflexão que não fosse desligada da prática e que criasse condições para que se conseguisse responder aos desafios enfrentados e que se foram tornando mais prementes”, explica. “O Walter é um jornalista de televisão com tudo o que essa profissão acarreta. É um camarada, um colega do topo da minha profissão”, menciona Mário Mesquita, jornalista e investigador de jornalismo.

Ao longo dos anos, os laços profissionais e pessoais de Walter Dean foram crescendo. Neste momento, além de formador um pouco por todo o mundo – já passou por países como a Palestina, o Egito ou a Noruega – Walter Dean é também professor nas universidades Lusófona e Nova de Lisboa.

“Com ele aprendemos como melhor trabalhar. Ele ensina-nos técnicas muito eficazes e simples para o nosso trabalho no dia-a-dia. Aprendemos a focar-nos no que realmente é importante”, explica Maria João Guimarães.

“Nas aulas sentia-se uma vivência muito forte no jornalismo, mostrava paixão pela profissão”, acrescenta Isabel Nery. Para a jornalista e autora, o norte-americano é “extremamente preocupado em ensinar a fazer bom jornalismo”. A antiga repórter da revista “Visão” diz mesmo que fazer o curso em Washington representou um “marco” na sua maneira de fazer jornalismo. “Foi muito eficaz”, afirma.