Fábio Monteiro. Colaborador do Expresso. Vencedor do prémio Gazeta Revelação 2014 pela reportagem “Pendurados num sonho”, distinção atribuida pelo Clube de Jornalistas.

Qual foi a sensação de ter recebido o Prémio Revelação?

O reconhecimento é sempre importante e deu-me mais oportunidades de trabalho.

Estava à espera dessa distinção?

Não. Enviei porque tinha orgulho nos trabalhos que tinha feito, mas sem ambição de receber um prémio.

Sempre sonhou ser jornalista?

Não. Há vários motivos pelos quais vim a ser jornalista, principalmente curiosidade. Muitos dizem que o importante é perguntar e eu gosto mais de ouvir. Por isso é que me identifico sempre muito mais com a reportagem.

Qual é a sua opinião sobre as condições de acesso à profissão?

Depende muito do contexto. Se o acesso à profissão é um estágio profissional ou um estágio curricular é muito diferente e depende, completamente, dos orgãos de comunicação. Eu fiz um estágio num orgão em que a única função que já me tinham dado era puxar peças da Lusa e reescrever peças internacionais. E ao final do mês, por não me deixarem assinar, abandonei o estágio.

O jornalismo é uma área que está cada vez mais precária…

Isso é um facto. Mas a única forma de contrariar isso é sermos mais críticos. É uma questão quase de atitude pessoal do indivíduo, ou seja, não se pode aceitar que se pague 50 euros por uma peça em que estivemos quase uma semana a trabalhar. O teu trabalho tem que ser valorizado. Quem te dá trabalho não faz um favor.

O que mais o preocupa neste momento enquanto profissional da área?

A noção de carreira e a questão do tempo de produção. Tenho bastante presente a ideia que a qualquer momento posso ficar sem emprego. E depois é o tempo. Eu acho que há vários tipos de jornalista e a mim interessa-me fazer sempre jornalismo com tempo ou jornalismo de mais reflexão.

Quais são os conselhos que deixa aos jovens que agora ingressam na profissão?

Que sejam jornalistas dentro da redação. Eu acho que esta é uma das ironias da nossa profissão: os problemas que tanto queremos denunciar são os mesmos que se passam dentro de uma redação. Obviamente que a redação não é nenhum sítio sagrado onde não hajam problemas, mas o jornal que faz notícias sobre horas de trabalho a mais também tem esse mesmo tipo de problemas dentro de portas. Haver esse tipo de problemas dentro de uma redação para mim é sempre muito chocante.