Alinhados e reunidos numa sessão inédita, 19 diretores de órgãos de comunicação social nacionais juntaram-se para debater o jornalismo, no 4º Congresso dos Jornalistas Portugueses. Apesar de ocuparem o mesmo cargo, são personalidades diferentes com caminhos distintos.  

O único diretor que transita do século XX já era jornalista antes do 25 de abril. Vítor Serpa, diretor de “A Bola”, iniciou a sua carreira com 18 anos, quando entrou no “Diário Popular”. O diretor da “Sábado”, Rui Hortelão é o mais novo do painel, com 38 anos e 19 de experiência.

Entre os diretores presentes no Cinema São Jorge, contam-se duas mulheres, representando 10,5% do painel da Mesa Redonda. Mafalda Anjos, que partilha a direção da Visão com Rui Tavares Guedes, e Graça Franco, diretora da Rádio Renascença, são as únicas presenças femininas. Num painel no qual a diretora da Visão considerou haver uma “overdose de testosterona”.

Graça Franco chegou atrasada, mas propositadamente. A diretora da Rádio Renascença sublinhou que queria ser notada, por ser mulher. A jornalista afirmou ainda que “a questão do género não é irrelevante”, reforçando mais uma vez a dificuldade no acesso aos cargos de chefia.

Os últimos dois anos trouxeram várias mudanças nas direções dos órgãos nacionais. David Dinis “dançou” entre o “Observador”, a “TSF” e o “Público”, só em 2016. Ricardo Costa passou do “Expresso” para a “SIC” e Paulo Baldaia entrou para o “Diário de Notícias”, depois de deixar a pasta da “TSF” para David Dinis.

Entre substituições, houve tempo para, desde 2014, 16 dos 19 órgãos presentes, mudarem as respetivas direções. Sobram os desportivos “O Jogo”,  que mantém José Manuel Ribeiro desde 2011, e “A Bola”, que desde 1992 tem Vítor Serpa como diretor. Graça Franco também é, desde 2009, diretora da “Rádio Renascença”, depois de substituir Francisco Sarsfield Cabral.