Informação, objetividade, rigor, responsabilidade, credibilidade e liberdade. São as máximas presentes na parede da redação e que todos os alunos e profissionais do Media Lab querem assumir à medida que vão traçando as linhas de trabalho do dia.

A máquina do café não pára e as últimas credenciais são distribuídas logo à entrada do Cinema São Jorge, por Isaura Marques e Isilda Neves, ambas do Sindicato dos Jornalistas. Degrau a degrau, os congressistas sobem as escadas até ao anfiteatro.

O staff está a postos e sempre dinâmico: “Marisa, vou lá ver como está a situação. Pediram-me 21 cadeiras para o palco”. As cadeiras são para os diretores dos diferentes orgãos de comunicação se sentarem para as suas intervenções na mesa redonda. Extensa fila de cadeiras alinhadas a que Sérgio Figueiredo, da TVI, chamou “pelotão de fuzilamento”.

O scroll down nos smartphones e o deslizar da tinta ou grafite num bloco de notas são os traços comuns do ouvinte do congresso. Palmas fortes e pausadas apoiam os discursos e as intervenções mais impactantes, entre elas a de uma estudante de mestrado: “Como ser resistente se nos tapam a boca?”. As palavras-chave são desemprego e precariedade. Os termos que parecem não ter termo. Mas fora do auditório há um discurso diferente. “Temos de deixar de tratar os jornalistas como coitadinhos, porque mais do que lamentações são necessárias soluções” é a frase destoante da multidão que lamenta o estado do jornalismo atual enquanto sai do auditório.

Rui Coutinho/ESCS

As portas abrem-se e fecham-se tal como as oportunidades neste mundo profissional. Cá fora, as máquinas fotográficas estão sempre a postos e os microfones e gravadores em mãos verdes. Já se preparam as perguntas e agora aguardam-se as respostas com os últimos testes de som e imagem. “Confirma lá se está tudo a postos”, pede a repórter confiante ao cameraman inseguro.

Aqui no São Jorge, não há tempo a perder. “Isto é melhor que ir ao ginásio. Come-se pouco e corre-se muito”, comenta um profissional que sai apressado do auditório e logo se encaminha para as escadas, que já subiu e desceu vezes sem conta.

Preparam-se coffee breaks para fazer face ao regime de dieta que se instala quando o trabalho cresce e o fim dos prazos se aproxima a passos largos. Na euforia das entradas e saídas do auditório, vários círculos se formam. Círculos que unem gerações e aliam o universo académico ao profissional. Permeáveis à entrada de novos elementos, mas que não esquecem os obreiros do edifício ético que começou a ser construído em 1993 – data da aprovação do Código Deontológico.

Rui Coutinho/ESCS